Dados próprios, audiências preditivas e mais vendas


Artigo Jelly × Clustie – Case MacStore (1) — imagem 1

Como a parceria Jelly × Clustie está a escalar e-commerce no Meta Ads

Quem gere Paid Media há alguns anos sabe: o targeting que funcionava em 2019 já não existe. O iOS 14 cortou sinais, os cookies de terceiros estão a desaparecer e as campanhas "broad" do Meta passaram a ser uma aposta em que o algoritmo adivinha quem é o nosso cliente. Muitas vezes, queima orçamento.

Na Jelly, a pergunta que fazemos a cada cliente de e-commerce é sempre a mesma: como aumentamos as vendas sem simplesmente aumentar o investimento? A resposta mais eficaz que encontrámos estava nos dados que as lojas já tinham, e que quase ninguém usava como deve ser.

É aqui que entra a nossa parceria com a Clustie.

O problema: o algoritmo não conhece o seu cliente

O Meta é extraordinário a otimizar, mas só otimiza com base nos sinais que recebe, e esses sinais ficaram mais pobres. A Clustie resume o diagnóstico em três pontos com que concordo totalmente: os dados de terceiros colapsaram, o targeting amplo desperdiça orçamento e a otimização manual não escala.

Há, no entanto, um ativo que nenhuma alteração de privacidade consegue tirar a uma marca: os dados próprios (first-party data). O histórico de compras, o valor de cada cliente, a frequência de recompra, os produtos que vende juntos. Numa loja Shopify, esta informação está toda lá. O desafio é transformá-la em sinal útil para o Meta.

O que é a Clustie?

A Clustie é uma plataforma de inteligência artificial desenvolvida pela equipa da FULLVENUE, especializada em criar audiências de alta performance para e-commerce, tal como descrito no case study da MacStore. Na prática, funciona como uma camada de inteligência entre a loja online e a conta de Meta Ads.

Artigo Jelly × Clustie – Case MacStore (1) — imagem 3

O processo tem três passos, segundo a própria Clustie:

  1. Ligação à loja. A app instala-se na Shopify em poucos minutos e começa a aprender com o histórico de encomendas, o catálogo e o comportamento dos clientes.
  2. Criação das audiências. Os modelos de IA analisam padrões de compra e segmentam os clientes por probabilidade de compra, valor de vida (LTV), risco de abandono e afinidade com produtos, enviando estas audiências diretamente para o Meta Ads como Custom Audiences.
  3. Atualização contínua. As audiências atualizam-se a cada nova encomenda, garantindo que as campanhas estão sempre a falar com as pessoas certas.

Um dos modelos que mais nos interessa do ponto de vista de growth é o preditivo: segundo o blog da Clustie, identifica os utilizadores com maior probabilidade de comprar nos próximos 30, 60 e 90 dias. São audiências que geram vitórias rápidas enquanto os lookalikes "frios" ainda estão a estabilizar, algo que normalmente demora duas a três semanas.

Uma pergunta que nos fazem muitas vezes: isto não é o mesmo que o Advantage+? Não. Como a Clustie explica, o Advantage+ trabalha com sinais anónimos, enquanto a Clustie usa dados reais de clientes (histórico de compras, LTV, risco de abandono) para construir audiências que o algoritmo do Meta não consegue construir sozinho.

O case MacStore: +70% ROAS sem aumentar o investimento

A MacStore é uma das referências em Portugal na venda de produtos Apple e acessórios premium, e é cliente da Jelly. Quando a operação de e-commerce cresceu, surgiu um desafio clássico: melhorar a rentabilidade das campanhas de Meta Ads sem aumentar o investimento. O objetivo, como descreve o case study publicado pela Clustie, era usar os dados de forma mais inteligente, transformando informação própria, como o histórico de compras e os dados de transações, em insights acionáveis.

Em tecnologia premium, o ticket médio é elevado e o tráfego genérico custa caro. Não precisávamos de mais cliques, precisávamos de quem estava pronto para investir num equipamento Apple.

A solução passou por ligar a loja Shopify da MacStore e a conta de Meta Ads à Clustie, criando audiências preditivas a partir dos dados próprios da marca. Essas audiências identificavam os clientes com maior propensão de compra e maior potencial de valor, o que nos permitiu substituir o targeting amplo por uma ativação de campanhas muito mais precisa.

Artigo Jelly × Clustie – Case MacStore (1) — imagem 4

Os resultados, publicados no case study da Clustie:

  • +70% de ROAS (Return on Ad Spend)
  • +90% de conversões
  • +11% de valor médio de encomenda (AOV)

Na página principal da Clustie, a MacStore surge ainda em destaque com um ROAS de 6,4× em Meta Ads.

Frederico Felner, CEO da MacStore, resume a experiência num testemunho publicado pela Clustie: "Com a Clustie, notámos rapidamente uma melhoria significativa no ROAS no Meta. Estamos entusiasmados por acompanhar a sua evolução e continuar a impulsionar o crescimento da nossa marca."

O dado que mais me agrada, enquanto especialista de performance, é o aumento do AOV. Melhorar o ROAS cortando investimento é relativamente fácil. Melhorar o ROAS e, ao mesmo tempo, quase duplicar conversões e aumentar o valor de cada encomenda significa que estamos a atrair clientes melhores, e não apenas mais baratos.

Artigo Jelly × Clustie – Case MacStore (1) — imagem 5

O papel da Jelly: tecnologia sem estratégia é só uma ferramenta

Seria fácil concluir que basta instalar uma app. Não é assim, e a própria Clustie o reconhece. No blog da empresa, a equipa admite que, durante algum tempo, a solução foi posicionada como substituta das campanhas existentes, quando o objetivo real é complementá-las e melhorar a qualidade dos clientes, o AOV e o LTV.

É exatamente esta a nossa leitura. As audiências da Clustie são combustível de alta qualidade, mas alguém tem de desenhar o motor. Na Jelly, isso significa:

  • Arquitetura de campanhas. Definir onde as audiências preditivas entram no funil (prospeção, consideração, reativação) e como convivem com as campanhas Advantage+ e de remarketing já existentes.
  • Criatividade alinhada com o segmento. Uma audiência de clientes de alto LTV não deve ver o mesmo anúncio que um segmento em risco de abandono. A mensagem tem de acompanhar a precisão do targeting.
  • Testes estruturados. Corremos as audiências da Clustie em paralelo com as nossas melhores campanhas, com orçamentos e janelas comparáveis, para medir o uplift real e não o percebido.
  • Leitura de negócio. Olhamos para lá do ROAS: CPA, AOV, taxa de recompra e margem. É aí que se vê se o crescimento é sustentável.

A Maria Félix da Costa, COO da Jelly, descreveu bem esta parceria num testemunho à Clustie: "A Clustie permite-nos transformar os dados próprios das lojas online em audiências inteligentes que geram crescimento real. É uma solução que junta tecnologia a um acompanhamento próximo de toda a equipa, ajudando-nos a escalar resultados no Meta de forma sustentável e a acrescentar valor às marcas de e-commerce com que trabalhamos."

E há um ganho de eficiência que não aparece no relatório do cliente mas que pesa muito: a Maria sublinha noutra parte desse testemunho que, em alguns casos, com cerca de metade do alcance foi possível conseguir praticamente o mesmo volume de conversões. Em growth, isto é ouro: menos desperdício, mais margem para reinvestir.

Só funciona com Shopify?

É a pergunta que mais ouvimos, e a resposta tem duas camadas.

A solução "plug and play" da Clustie é uma app nativa da Shopify, com instalação num clique e sincronização automática com o Meta Ads. É aqui que o produto está mais maduro e é este o cenário onde o implementamos com mais rapidez.

Ainda assim, nas perguntas frequentes do site, a Clustie indica que se integra com as principais plataformas de e-commerce, incluindo WooCommerce e outras. Existe também a oferta Clustie 360, com preço à medida, pensada para eventos, desporto e marcas enterprise, com ativação multicanal. No caso da Federação de Futebol do País de Gales, por exemplo, as audiências foram usadas em campanhas no Google e no Meta.

A nossa recomendação prática: se a sua loja está em Shopify, a ativação é praticamente imediata. Se usa WooCommerce ou outra plataforma, vale a pena uma conversa prévia para avaliar a integração.

Para quem faz sentido

Artigo Jelly × Clustie – Case MacStore (1) — imagem 6

A IA precisa de dados para aprender. Segundo Tiago Costa, CEO da Clustie, em entrevista ao eCommerce Coffee Break, o ponto de partida recomendado são pelo menos 3.000 clientes ativos nos últimos dois anos. A Clustie aponta também uma redução média de 30% no custo de aquisição nas marcas com que trabalha, e os primeiros resultados surgem normalmente ao fim de cerca de 14 dias.

Se a sua marca tem histórico de vendas, investe de forma consistente em Meta Ads e sente que o ROAS estagnou, este é provavelmente o próximo passo.

Conclusão: o próximo salto não está no orçamento, está nos dados

O case da MacStore prova algo que defendemos há muito tempo na Jelly: o crescimento sustentável em Paid Media não vem de gastar mais, vem de gastar melhor. Quando juntamos os dados próprios de uma loja, a inteligência preditiva da Clustie e uma estratégia de performance bem executada, o algoritmo do Meta deixa de adivinhar e passa a trabalhar a nosso favor.

Tem uma loja online e quer perceber quanto ROAS está a deixar escapar? Fale com a equipa da Jelly e fazemos o diagnóstico consigo.

TemasPaid MediaClustieCase StudyJellyMarketing Digital

Recebe o que escrevemos

Sem calendário fixo: só quando há alguma coisa que valha o teu tempo.

O teu email, e mais nada. Não pedimos nome nem empresa.

Vais receber em português.

Retrato de Gonçalo Malho Rodrigues, fundador e CEO da Jelly Digital Agency

Gonçalo Malho Rodrigues

Fundador & CEO

Fundou a Jelly – Digital Agency em Portugal em 2010 e a Strivesync – AI-Native Systems no Dubai em 2026. Detém outras empresas, noutros setores, como a Stronddo – Online Art Galleryl, a Scallent – Human Talent. Gonçalo, criou a The Change Framework, que apoia líderes a gerar a mudança através da mobilização de equipas em torno de uma causa.

Relacionado← Todos os artigos