O poder de um directo


mulher a fazer uma transmissão em directo a demonstrar roupa

Miguel Afonso Gonçalves – Copywriter & Travel Blogger – Uma live-streaming não é uma invenção do modelo de marketing pós-pandemia, mas tem sido uma das principais descobertas das marcas e consumidores neste período, pelo que, sem surpresas, integra todas as tradicionais listas de “actuais tendências de marketing digital” das diversas revistas e publicações especializadas na área (10 tendências no online para 2021 – Marketeer (sapo.pt) ou Seven Digital Marketing Trends For 2021 (forbes.com)).

Miguel Afonso Gonçalves – Copywriter & Travel Blogger – Uma live-streaming não é uma invenção do modelo de marketing pós-pandemia, mas tem sido uma das principais descobertas das marcas e consumidores neste período, pelo que, sem surpresas, integra todas as tradicionais listas de “actuais tendências de marketing digital” das diversas revistas e publicações especializadas na área (10 tendências no online para 2021 – Marketeer (sapo.pt) ou Seven Digital Marketing Trends For 2021 (forbes.com)). Qual é então o real poder de uma transmissão em directo?

Permitam-me iniciar o debate com uma sucinta revisão histórica deste fenómeno. Antes de pensarmos em marcas, pensemos em pessoas, na História da comunicação e do entretenimento.

É inegável que grande parte do sucesso das diferentes inovações tecnológicas ligadas a este meio – seja a rádio, a televisão ou mesmo a Internet – tem estado assente na instantaneidade e proximidade da comunicação, mas também convém recordar que, desde sempre, as grandes audiências se reuniram em torno de eventos com transmissão em directo.

gráfico com as emissões televisivas com maior audiência nos EUA em 2020

As estatísticas das últimas décadas provam-no, remetendo-nos para os principais momentos do calendário desportivo – Mundiais, Jogos Olímpicos – ou acontecimentos históricos – os ataques de 11 de Setembro, o funeral da princesa Diana, entre outros. A imagem seguinte ilustra esta ideia, com os dados referentes às emissões televisivas com maior audiência nos Estados Unidos em 2020 (onde nove das dez emissões ocorreram em directo): Fonte: U.S: most watched telecasts 2020 | Statista Provada a maior predisposição para eventos com transmissão em directo, por parte do público no geral, vejamos de que forma esta ideia se pode aplicar às estratégias de comunicação e marketing das marcas. Que ferramentas têm ao seu dispor? O que tem sido implementado? Com que sucesso? E o que pode ainda estar por vir? Humanizar a marca

Anteriormente, num artigo publicado no blog da Jelly, vimos como o formato vídeo se consolidou como uma ferramenta útil à estratégia de marketing de qualquer marca – com particular enfoque nas redes sociais.

As live-streamings, beneficiando do formato vídeo, gozam das mesmas vantagens já apresentadas, às quais outras se juntam. A humanização da marca é, sem dúvida, a mais importante de todas, pois não só esta é a melhor oportunidade ao dispor das marcas para alcançar elevados níveis de interação com os seus consumidores, ou potenciais clientes, como ainda é a que permite trazer, eficazmente, um rosto, empatia e emoções à relação marca-público.

E porque é a humanização da marca um ponto tão importante? Nos últimos anos, os chatbots têm também sido apontados como meios relevantes no âmbito do marketing. De um ponto de vista “macro”, poder-se-á dizer que os chatbots são os principais rivais das live-streamings, no sentido em que ambos apresentam o mesmo tipo de solução prática para colmatar certos problemas – FAQs.

Todavia, o factor humano continua a ser o que confere mais transparência, credibilidade, confiança e empatia à relação, indicadores que auxiliam as marcas a fidelizar clientes – podendo inclusivamente levá-los ao estatuto de “embaixadores da marca” – e subsequentemente, gerar um eventual maior retorno financeiro proveniente das relações fortalecidas. Mas o leque de vantagens de uma live-streaming não se fica por aqui. Novos modelos de negócio…

As publicações especialistas sugerem que as próprias redes sociais e plataformas de live-streaming se têm tornado ferramentas de compra e venda de produtos. Em paralelo e com uma crescente regularidade, tem surgido a designação “live stream/video shopping” nas tendências e abordagens das marcas ao actual contexto global.

Note-se, aliás, que segundo um estudo da Vimeo – uma das principais plataformas de distribuição de vídeos – 82% dos utilizadores destas ferramentas digitais preferem assistir a um directo proporcionado por uma marca, em vez dos tradicionais posts promocionais, ou ainda que 80% das audiências optariam por assistir a uma live-streaming em vez de ler um artigo num blog (Why a Live Streaming Strategy is a Must-Have for Marketing). E novos públicos

Nunca foi tão fácil chegar a novos públicos. Durante as transmissões em directo, muitas marcas têm aproveitado para se ligarem quer a especialistas de determinadas áreas – relacionadas com o mercado em que as marcas se inserem – quer a figuras mediáticas que trazem os seus seguidores para o universo da marca. É uma das melhores formas orgânicas de atrair tráfego para os canais da marca e integrar na rede de potenciais clientes, um vasto número de pessoas. Para todos: B2C e B2B

De acordo com as mais recentes investigações do Content Marketing Institute (Livestreaming Tips Every Content Marketer Needs to Hear (contentmarketinginstitute.com)), “o número de marketers de conteúdo B2C que recorrem a live-streamings triplicou entre 2019 e 2020 – 13% vs 35%”. E se, por um lado, é normal pensarmos que as marcas que actuam no segmento B2C tendem a ser pioneiras na adopção de novas ferramentas e estratégias de marketing, por outro lado, neste caso concreto, a mudança foi bem recebida simultaneamente no segmento B2B.

Estando inseridas num segmento, por norma, mais tradicional e conservador, as marcas que actuam no segmento B2B sempre se apoiaram sobretudo em eventos presenciais como mecanismos de humanização das marcas. O contexto pandémico, contudo, revolucionou esta ideia e os meios digitais muito contribuíram para que tal sucedesse. Veja-se que no último ano, assistiu-se à disseminação de webinars, vídeo calls, entrevistas, entre outros, num ambiente estritamente empresarial, sem seguir a lógica de one-to-one.

O formato vídeo já vinha sendo apontado como uma das fórmulas de excelência para uma eficaz comunicação das marcas, mas a oportunidade de fazê-lo em directo revelou todo o potencial de criação de relações significativas entre marcas e consumidores, por ser, inquestionavelmente, o seu formato mais genuíno, autêntico, credível e empático.

Foto de Miguel A. Gonçalves

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